segunda-feira, 11 de junho de 2007

Faltam sonhadores


“Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas.”
(Mário Quintana)


Sempre fui apaixonado pela educação, talvez não pudesse libertar esse pensamento quando estudante pela falta de incentivo e pela ineficiência e falta de amor que alguns docentes possuíam quando se propuseram a me educar e educar vários outros colegas. Matérias expostas apenas com exercícios fora do contexto, tomar café na sala dos professores ou até punir alunos com castigos? Seria essa a real tarefa de um professor? Dar-me respostas dos exercícios, mandar cartas para que os pais assinassem ou propor uma avaliação onde o grande vencedor era aquele que decorasse todos os tópicos? Chamar-nos de burros perante toda a sala era essa a postura de um educador diante de seus docentes? Educador... Acho que houve um equívoco diante do substantivo empregado, pois o ato de educar significa tirar o que possuímos de melhor e não nos submeter a castigos, torturas ou até mesmos conceitos ancorados na memorização. Esses que passaram (há alguns que ainda figuram no cenário docente, tentando reavivar métodos arcaicos e ultrapassados de ensino, impostos pela ditadura militar) não merecem a nobreza do termo educador, talvez um simples reprodutor de técnicas mnemônicas.

A função do educador é retirar do seu discente o que ele possui de mais valor. Conceitos que se encontram escondidos no mais distante recôncavo do cérebro humano. É, também, mostrar ao aluno que o conhecimento deve ser buscado e que para isso ele precisará de esforços, dedicação e, acima de tudo, humildade, esta também cabe ao docente.

O ato de educar compete aos que possuem brilho no olhar, que vislumbram-se com as mais simples atitudes, que têm a capacidade de sonhar, ver estrelas nos mais escuros céus ou nas tempestades mais violentas; educar é não se afugentar, não permanecer estático esperando o dia passar, não aguardar as proposições do livro didático ou que as apostilas fiquem prontas; o verdadeiro educador coloca suas mãos na massa, suja-se no barro, cava buracos, possuí a capacidade de suar. Chega cansado em sua residência, indigna-se com os salários absurdos que lhe pagam, mas não esmorece, permanece firme em sua decisão, convicto que o caminho é esse, que seu sonho nunca será destruído, pois a Lua e as estrelas brilham, ainda, emanam luzes, essas que nos guiam dando vazão aos nossos sonhos, estes que de forma alguma podemos perder. Precisamos voltar a sonhar...

Sérgio Augusto Santanna

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