sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Porto Feliz


Mudanças. Foram muitas ao longo destas décadas narradas por Balzac. Internas: hábitos, costumes, ideologia. Tornei-me mais ativo, mas não abandonei a calma peculiar. A reflexão não se afastou. Continuei reflexivo. Ponderado. Analista dos detalhes. Experiência? Não sei se foi tanta, mas confesso que me surpreendi. Principalmente depois de constituir minha própria família, com esposa e o doce nascimento de minha elegante Beatriz. As externas foram muitas: do raquítico garoto dos tempos de Colegial ao pai mais rechonchudo. Foram quase trinta quilos em dez anos. Acreditem se quiserem. Os cabelos que por anos tentei deixá-los rebeldes começaram a crescer no início desta década. Por cinco anos cresceram, soltaram e rebelaram-se, mas como todo Sansão tive minhas madeixas cortadas. Confesso que me sinto melhor. Parece que agora adquiri mais força (obrigado, Meu Amor!). Quem me viu; quem me vê! Mudei, sim! Mas nada disso afetou o meu caráter. Continuei a ser verdadeiro, sincero. Educado com os que merecem, nem por isso mal-educado com os demais. O ser humano sabe o que faz.
Ao longo deste tempo escrevi muito, aperfeiçoei meu estilo (não sei se o encontrei), li muito, infinitamente, esse é um vício que possuo e prefiro conviver com ele por toda minha vida. Ela me alimenta, é da leitura que tiro minhas informações, acabo me nutrindo. Alicerço minhas forças, preparo minhas munições, dou sinais de vida. Àqueles que dessa leitura querem absorver, naveguemos. Encampemos por lugares dantes desencontrados. Puros. Límpidos. Soltemos nossas imaginações.
Mas a hora chegou. Devemos partir. Em Porto Alegre constitui minha família, aqui obtive muito conhecimento, conheci pessoas que muito admiro. Bebi das fontes do Lago Guaíba, confesso que não me intoxiquei, pelo contrário, sou mais puro... Da beleza dessas árvores verdes levo as cores; das calçadas levo os obstáculos; dos mendigos nas ruas, levo a incapacidade do poder público; dos escritores, levo as letras. Enfim, Porto Alegre é demais.
Volto a minha terra, onde tanto amor dediquei e me foi retribuído. A saudade bate, a ansiedade contagia, as lágrimas insistem em perambular pelos olhos doloridos. Cada aeronave que parte é o som da despedida. Chegará nosso dia. Então, o barulho será o mesmo, mas dotado de uma carga de emoção muito maior. Lá se vão três corações que aprenderam a gostar desta terra e que tanto orgulho sente por ter conquistado muito por aqui. Taquaritinga nos espera e lá, na terra Dos Coqueirais teremos outro Porto. Feliz, também.

Um comentário:

Priscila Sant'Anna disse...

O Porto, seja qual for, será sempre feliz se eu estiver ao teu lado. Se caminharmos juntos, sempre de mãos dadas poderemos migrar para onde for, pois o amor permanecerá conosco.
Esse tempo aqui, tem uma simbologia muito especial para mim, para ti e para nós. Sabes disso. Foi onde concretizamos nosso amor e recebemos o maior presente que um homem e uma mulher pode receber: a chegado do filho. Em nosso caso, de NOSSA PRINCESA BEATRIZ.
Tenho certeza que muita coisa boa nos espera. Que continuaremos a ser felizes.
Saudades, sei que teremos, mas tbém teremos como saciá-la!
Agora não vejo a hora de voar e chegar ao porto desejado, com meu amor e minha princesa.
Beijos
Pri