terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dividir-se com amor

Dividir-se entre os afazeres domésticos, a ânsia pela leitura, o preparo das aulas a serem ministradas ao longo da semana não é tarefa para pobres mortais, há que se ter um brilho especial, uma força que nasça de suas entranhas, misturadas ao carinho e ao amor.

Amar aos filhos e a esposa é algo divino, glorioso, às vezes, sei que o tempo, mais meus afazeres profissionais, acabam conturbando meu desempenho como pai (Etâ, modernidade), mas meu carinho é enorme, meu amor transborda e a alegria de ver minha filha chamando-me quando chego é de encher os olhos de lágrimas. Minha esposa sorri e logo vem me abraçar e beijar-me. Passei apenas algumas horas fora de casa e isso tudo se reflete em saudades. Sinto falta, também, e quando Beatriz escuta meus passos já sabe que o seu papai está a vista.

No quarto aproveito o feriado prolongado para organizar os meus livros e as roupas que se amontoaram ao longo da semana na cama pertencente ao outro quarto; na verdade não era mais uma cama, apenas uma espécie de guarda-roupas. Os livros, essas preciosidades, não podem ficar ao abandono, necessitam de carinho e vou logo os colocando em ordem na estante, separo aqueles que mais utilizo como ferramentas de trabalho e os outros que estou lendo deixo num outro canto do quarto, preparados para serem devorados (“Revolução dos bichos”, Cemitério dos vivos”, “200 crônicas escolhidas de Rubem Braga” e “Iracema”), algumas releituras, para outros, como a obra de Orwell há um ineditismo, que sempre me assombrou e agora cai em minhas mãos como dinheiro que faltara a esta mesa.

Tudo arrumado, agora é hora de corrigir algumas redações, disciplina que leciono no Ensino Médio. Também, não posso me esquecer das provas de Língua Portuguesa, realizadas semana passada pelos discentes do Ensino Fundamental II, mais especificamente, os garotos e garotas do 6º ano. Tem também os artigos a serem escritos: três crônicas semanais e mais uma coluna com tópicos diversificados que tratam sobre cultura. O meu blog precisa ser alimentado e não é simplesmente escrever qualquer coisa, tenho que contar com a inspiração. Se ela não bater em minha porta ficará difícil. Não saberei o que escrever.

Mas aprendi: nada deve ser feito sem amor. A dedicação só brotará quando o brilho do amor se espalhar. É por isso que em todo momento ruim que passo, reflito, deixo o meu órgão vital se encher de amor. As flores renascem.





Um comentário:

Priscila Sant'Anna: disse...

Sé:

Terminaste teu texto talvez com algumas das mais belas palavras que já escreveste: "A dedicação só brotará quando o brilho do amor se espalhar. É por isso que em todo momento ruim que passo, reflito, deixo o meu órgão vital se encher de amor. As flores renascem".

Quero que saibas que estou no processo de reflexão (um processo interno, meio demorado confesso) que mexe com meus pensamentos, como um turbilhão de águas! De uma forma que nem imaginas.

Espero que ao final do processo meu coração se encha como antes, se inunde de muito, muito amor.

Beijos
Pri