terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Aula da Vida

Ao ver o professor de cabeça baixa procurei indagá-lo sobre o que ocorria. Decepção com os baixos salários, problemas familiares ou questões relacionadas ao ambiente escolar? De nada adiantou a minha preocupação naquele momento. Vazou um sorriso triste, decepcionado e disse que depois falaria comigo.
Continuei a caminhar pelo espaço escolar como sempre faço. Observar era o que mais realizava. Sempre ao longo desses meus trinta e um anos levei em conta a observação e só a partir dessa situação é que emitia os meus juízos. O aluno sempre foi à peça mais importante do contexto escolar, mas o professor sempre foi meu cuidado, aquele quem tinha o jeitinho no momento de revelar algo, aquele quem chamava para conversarmos, a sós, em minha sala, isso nos momentos tristes ou alegres, pois os encarava como seres distintos, donos de vidas diferentes, preocupações distantes, enfim, suas personalidades funcionavam como ilhas e dessa forma procurava fazer desses seres individuais um arquipélago, cercado pela beleza de seus conceitos emocionais e racionais. Mesclava a sua racionalidade com sua subjetividade, dançavam juntas razão e emoção; e olhem que compartilhavam do mesmo estilo de música, está certo que os passos eram distintos.
Nas reuniões que procurava realizar com os docentes deixava claro que aquele era o momento para sanarmos nossas dúvidas, refletir sobre nossas ações e solucionar as indagações. Era nesse momento que as ilhas se reuniam formando o arquipélago e era daquele mar de idéias que saiam as mais fantásticas soluções. Diferente do que muitos pensam, a cabeça de um professor reflete, pensa, não engole conteúdos sem mastigar. É dessas críticas fabulosas que nascem as grandes teorias, mas são poucos os que acreditam nessas idéias. Encaram o docente como um cumpridor de regras, o esquecido pelos seus baixos salários, isolado das decisões sociais, culturais. O professor delineado como um alienado. Um aplicador do taylorismo. As reuniões têm todo o seu lado burocrático, mas cabe ao coordenador, assim como aqueles que o cercam, fazer desse momento um tempo de simpatia, alegria, felicidade. Deixá-la prazerosa, apetitar o seu sabor. É da sola de sapato que se faz um suculento e nutritivo caldo, tudo depende do cozinheiro.
O câncer matou a mãe daquele professor, a vida reservou-lhe esse trágico destino, mas suas aulas ganharam vida, pois a sua tinha que continuar e a de seus discentes também...

Um comentário:

Marli disse...

Meu querido amigo!
Hoje é dia de festa, de alegria, de comemoração.Por mais distantes que estamos, lembramos sempre dos verdadeiros amigos, porque esses, nos marcam e deixam marcas preciosas em nossos corações e vida.
Muita paz, saúde e que Deus ilumine seu caminho.
Um beijo carinhoso e feliz aniversário.
Marli